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O individuo e a sociedade

Jan. 29th, 2010 | 03:08 pm

   Tenho acompanhado de longe, desde que entrei na faculdade, a atuação do movimento estudantil. Depois que vim para Fortaleza acompanhei mais de perto essa atuação e pude discutir com as pessoas que estavam construindo o movimento as ideias que tem fundamentado suas atitudes e suas intenções dentro da sociedade. O setor do movimento que eu acompanho de perto é um setor que acredita na revolução, que acredita que a única forma real de mudança é a revolução total da ordem vigente na sociedade das coisas. Há muitos métodos para se fazer isso e por isso em prática é a grande questão de qualquer um que acredite nisso. Mas me incomodou de uns tempos pra cá uma coisa que fundamenta o pensamento dessas pessoas que atuam no movimento: o conceito de individuo. O individuo como ser que precede a sociedade não existe ou simplesmente não é pensado por ninguém. Não consigo acreditar de forma alguma que meu cérebro nasça vazio, que ali dentro não existam definições particulares que vão me ajudar a descobrir quem eu sou, que vão me ajudar a definir os rumos da minha vida, acredito que antes da sociedade exista a pessoa, o ser humano em essência, e partiu dele a vontade de existir em sociedade e partem dele muitas outras vontades. Não discuto a influência que a sociedade tem nisso, no sentido de que não quero dizer que não exista uma influência. Muito pelo contrário quero discutir até que ponto ela influencia, como ela tem influenciado mal, e como podemos contornar isso trazendo o individuo de encontro consigo mesmo. O que eu quero dizer com isso é que a sociedade através de milhões de mecanismos de alienação tem trazido as pessoas cada vez mais para longe uns dos outros e de si mesmos, as pessoas tem valorizado cada vez mais coisas que simplesmente as distanciam da própria felicidade. É claro que existe a discussão sobre o conceito de felicidade, quem sou eu pra dizer pra alguém que aquilo que ele pensa que faz bem a ele não faz? Não posso fazer isso, não tenho esse poder. Posso no máximo tentar mostrar exemplos, mostrar fatos que mostram que o que se vende como felicidade hoje não é de fato bom para ninguém. O que se vende como felicidade hoje distancia as pessoas, o que se vende como felicidade hoje faz as pessoas esquecerem daquela aptidão natural que elas um dia acreditaram que tinham e que às realivazam profundamente, o que se vende como felicidade hoje desvaloriza a relação sentimental entre as pessoas. Eu acredito que as mudanças nos valores vigentes hoje na sociedade só mudarão quando as pessoas mudarem, quando cada pessoa for buscar em si o que a define como individuo e não o que a sociedade diz pra ela que ela deve ser. Acredito que a sociedade não define as pessoas, mas as pessoas definem a sociedade, acho que o grande problema dessa sociedade em que vivemos é que deixamos o contrário acontecer, deixamos que alguém nos diga o que devemos ser, nos diga em quem devemos acreditar. Acredito que uma sociedade realmente diferente é uma sociedade que permita a cada um entender como as coisas funcionam e deixar que cada um decida qual é o seu papel dentro dessa sociedade e lute pra ocupar esse papel. Acredito sim que é preciso mudar as coisas radicalmente, acredito que isso se dará através da mudança da cabeça das pessoas, mas não acredito em lutar por um outro modelo de sociedade que nos diga o que pensar, como agir, o que ser.

Não sei ainda que métodos podem ser usados para chegar às pessoas, mas acho que é importante passar essa minha impressão e deixar na cabeça de cada um perguntas como "Eu sou feliz? O que me faz feliz? O que falta para eu ser feliz?". Acho que essas perguntar e as respostas à elas podem nos levar a buscar mais sobre nós, pode nos reaproximar como individuos, e podem ser o começo de uma transformação nas mentes, e por consequência, na realidade em que vivemos.

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O saudosismo e a memória

Nov. 10th, 2008 | 10:05 pm

"que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais!"

Quem já não pensou na infância como a época mais feliz da sua vida? ou melhor, quem já não pensou em qualquer época da sua vida no passado como a melhor época de sua vida? Todos nós temos aquela lembrança que marcou época, lembrança bonita cheia de cor e felicidade. Ou, talvez mais raramente, o contrário, uma lembrança triste onde você fica pensando que não houve tristeza maior em sua vida. Eu sei que eu já o fiz dezenas de vezes. Mas na maioria das vezes eu fico na dúvida, se foi assim mesmo que aconteceu ou eu imaginei parte das coisas, imaginei um sentimento mais intenso, um dia mais ensolarado, ou uma fala mais bonita. Eu confesso que minha memória é péssima, mas quando vejo esses senhores dizendo que as coisas não são mais como antigamente, ou que tal e qual coisa é mais bonita do que é hoje em dia fico imaginando se todos eles não são como eu. A memória da maioria das pessoas não é fotográfica, e com um, dois, cinco anos as lembranças do dia-a-dia se perdem e ficam só as mais marcantes, e mesmo as mais marcantes são borradas e nelas são postas anexos que as fotos e as histórias colocaram. Meu pai conta uma história que diz ele se lembra de quando tinha dois anos de idade (hoje ele tem 65), e eu tenho grandes duvidas da veracidade dessa lembrança. Muito provavelmente seus pais contaram de algo que ele fez quando tinha dois anos e ele imaginou a cena e a gravou, contando como uma lembrança verdadeira. A memória e a imaginção nos pregam peças incríveis. E na maioria das vezes, acabamos vendo o passado como muito melhor do que o presente muito porque fatos imaginados são apenas uma idealização daquilo que realmente aconteceu. A história que você conta, coisas que você ouve sobre aquele acontecimento, fotos que você vê, tudo acaba afetando a imagem que você fez na cabeça. Acho que é algo inevitável, mas eu tento nunca dar crédito a minha memória sempre com medo que ela seja na verdade minha imaginação disfarçada. Talvez quando eu tenha filhos, eu não conte pra eles que eu não dou crédito a minha memória, só pra tornar as histórias mais interessantes.

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O big-bang e a anti-matéria

Apr. 26th, 2008 | 11:43 am

Fora os leitores de ficção cientifica ninguém tem uma idéia definida do que seria a anti-matéria. Eu li em Anjos e Demônios que seria uma massa que possui enegria suficiente pra explodir o planeta, ou algo assim. Bem, não é bem isso. A anti-matéria é algo intrínsecamente relacionado a matéria, toda partícula tem sua anti-partícula. A questão é definir bem aonde se encontram essas anti-partículas, nunca entendi bem essa parte, mas acontece que físicos já as encontraram e fizeram experimentos com ela comprovando que uma partícula sempre se choca com sua anti-partícula gerando grande energia (considerando seus tamanhos e massas e cargas), e essa energia acaba se tranformando novamente em partícula e anti-partícula e o processo se repete. Portanto, no âmbito das partículas é muito fácil entender o que é uma anti-partícula. Agora, pensando na existência de uma anti-partícula pra cada partícula do universo fica difícil de acreditar que elas se encontrem no mesmo universo que nós, já que se estivessem, estaríamos contantemente vendo grandes explosões no universo e na Terra também. Portanto, elas devem estar fora do universo (por maiores que sejam as controvérsias existentes em dizer 'fora do universo'). Considerando então esse 'fora do universo' como um monte de anti-partículas, como no referencial delas, elas podem interagir exatamente como seus pares aqui no nosso universo, elas devem ter se organizado mais ou menos (ou talvez exatamente) como as partículas deste universo, e desconhecendo o nosso referencial, no referencial daquele universo as partículas não são anti nada, são apenas partículas. Não digo que exista uma Terra exatamente igual com as mesmas pessoas, porque há muitas questões probabilísticas na formação de um planeta (e mais ainda de uma sociedade e de uma pessoa), mas um universo que tenha o mesmo 'modelo' do nosso. Então pensemos na possibilidade de um universo, com planetas, estrelas e galáxias, fora desse, com zilhões de partículas que se postas em contato com as partículas do universo explodiriam, e que são inevitavelmente atraídas por essas partículas (seja elétricamente, gravitacionalmente ou por qualquer outro meio desconhecido de força). Considerando as dimensões gigantescas desses universos, é inevitável que eles se choquem. Então será que o big-bang não foi resultado do choque de dois universos opostos, que geraram um grande raio de energia que se concentrou novamente e gerou esses dois universos novamente? O universo está crescendo aceleradamente, coisa que não acontecia anteriormente, ele crescia a velocidade constante. Talvez se conhecermos o tipo de força que faz o universo crescer dessa forma poderíamos constatar que não é mais resultado do big-bang que o gerou, e sim uma aproximação do próximo big-bang, que aniquilaria esse universo (e o outro também). Até porque não faz sentido que uma explosão de bilhões de anos de idade ainda ganhe força repentinamente. Teorias para explicar esse crescimento precisam ser formuladas e explicadas matematicamente. Que tipo de força faz o universo crescer dessa forma? De onde ela vem? Como ela atua? É uma força já conhecida? Precisa-se perguntar e imaginar quais são as respostas possíveis. É aí que o físico se mostra criativo, inventivo, diferente. Imaginar o que nunca foi pensado antes e provar que o que parece impossível, na verdade é exatamente a verdade!

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Saudade

Jan. 25th, 2008 | 01:59 am

Que sentimento é esse que só existe em português? Esse sentimento que pode deixar alguém chorando horas intermináveis porque está longe de um grande amor, do melhor amigo, do pai ou da mãe. Sentimento que pode ser incrívelmente intenso e sofrido, como nostálgico e benigno. Os saudosistas do futebol arte, os saudosistas da grande mpb, eles lembram e relembram de dos autores dos grandes dribles e dos versos geniais com um deleite insuperável, como se estivessem ali, no estádio ou no show, assistindo seus grandes ídolos. Os saudosos intensos muitas vezes não agüentam pensar no objeto da saudade sem ter lágrimas nos olhos, sem dar um suspiro triste de quem pensa "queria tanto que ele estivesse aqui!". Essa falta que uma pessoa ou coisa querida nos faz, que parece que um pedaço de nossas vidas está longe no tempo ou no espaço, perdido em uma época distante ou num país do outro lado do oceano. Saudade que pode começar bem rapidinho, saudade de um dia, de uma hora! Ou pode demorar a aparecer, e quando você menos espera, você percebe quanta falta aquilo está te fazendo. Logo depois do último beijo ou anos depois das últimas palavras trocadas, a saudade sempre que aparece faz você querer voltar àquele momento, chegar rapidamente ao último momento que vocês tiveram juntos e aproveitar melhor, falar aquilo que você devia ter dito, ir no show que você não podia ter perdido, aquele jogo histórico que nunca haverá igual, saudade dá isso. Vontade de voltar, vontade de viver tudo de novo, só que melhor, aproveitar melhor, fazer melhor, fazer durar mais.. Tentamos nos agarrar com todas as forças as imagens na nossa cabeça, tentamos visualizar tudo que nós vimos e sentimos, e com o tempo as imagens se perdem, as sensações se vão e logo é só uma lembrança boa que você queria que não fosse só lembrança. Você queria ver e sentir aquilo todos os dias, e as vezes você consegue voltar a ter momentos como aquele, mas as vezes.. aquela foi a última vez, o último verso da última música, o último grito de 'olé!', o último beijo.. e por mais que você não consiga sentir tudo aquilo de novo, a lembrança que você sentiu aquilo está sempre lá, te dando saudade.

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Amor, Amor

Dec. 16th, 2007 | 12:09 am

sempre a ti, Amor, serei puro amor,
serei do mais profundo e intenso amor,
como se em mim houvesse apenas amor,
como se o mundo todo fosse engolido pelo meu amor,
e dentro deste meu amor,
ficasse engolfado na atmosfera inebriante de amor em que eu me encontro, Amor,
respirando amor, amor, amor!

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Jovens Revolucionários

Oct. 24th, 2007 | 11:27 pm

Acho impressionante o fenômeno do amadurecimento. Talvez porque eu não o entenda muito bem, afinal, não estou nem perto de ser uma pessoa madura (será que existe alguma pessoa realmente madura?). Sei que quando cranças temos nosso próprio mundo, o criamos com a pouca informação e a muita imaginação que temos. É, certamente, a parte mais divertida da vida, criar teorias sobre o mundo que nos cerca quando se acredita que o céu é azul porque reflete o mar, ou que Deus criou o universo com bolas de golfe divinas, ou ainda que nosso irmãozinho está chegando pendurado no bico de uma cegonha, é incrívelmente maravilhoso. Realmente, mais divertido do que se achar idiota ao não ter explicação melhor pra dar pro céu ser azul. Quando se é criança é bem mais difícil se achar idiota. A fase conturbada da infância é quando começa-se a perceber as coisas, decepção atrás de decepção, desde o papai noel até o papai mesmo, nenhum dos dois anda voando por aí. Me achei um grande idiota durante toda essa fase, tavez porque eu tenha sido um, ou porque é mais ou menos assim que você se acha quando percebe que foi enganado por toda a sua vida. Pior que isso é a pré-adolescência, mais pra um do que pra outros, você querendo parecer adulto sem poder fazer nada, doido pra poder sair de noite sozinho, sem saber muito bem o que se faz quando se sai de noite, brigando por palavras que a gente nem sabe bem o significado. Que venha a adolescência tão esperada, já acostumados com os hormônios, querendo aproveitá-los, querendo envelhecer, e principalmente, querendo mudar o mundo. Me diga você, que adolescente com um mínimo de conhecimento sobre os acontecimentos do globo não pensou em seguir uma carreira pra fazer a diferença, ganhar dinheiro e fazer um projeto social, presidente, policial, cientista. Os grêmios escolares, os movimentos estudantis universitários, inundados de iniciativa e força de vontade. Quantos se tornaram políticos honestos? Policiais honestos, bombeiros, revolucionários, guerrilheiros, justiceiros, donos de ongs, etc? cinco por cento, dez? Eu já pensei mil vezes "Não vou me tornar uma pessoa conformada, vou sempre lutar contra essas injustiças, não vou ficar que nem a minha mãe e o meu pai.."(como se eu lutasse agora). Mas os dois acham que fazem a diferença, cada um do seu jeito, acham que estão constantemente mudando a sociedade, e eu não vejo isso. Quero revolução, fechar o senado, educação para todos.. mas eles trabalham, não são políticos, não são revolucionários, mas trabalham honestamente e árduamente. Nós adolescentes não vemos nisso muita mudança. Ou pelo menos eu não vejo, queremos mudar tudo, dedicar uma boa parte da nossa vida a ajudar os outros, a fazer o que os governos não fazem, mas quem consegue realmente fazer isso? Quantos participantes dos movimentos estudantis da ditadura só tem hoje histórias revolucionárias e empregos honestos? Não me entendam mal, não pretendo criticar os trabalhadores honestos, mas eu queria entender, antes que aconteça comigo sem que eu perceba. Sou adolescente, disposto a dedicar um bom tempo da minha vida profissional a ações sociais, mas na realidade, eu não faço nada significativo. Muitos fazem, mas quantos farão sempre? É muito fácil encontrar tempo quando só se têm a escola pra ocupar o tempo, mas aí vêm o início de carreira, estágio, faculdade, trabalho, família.. quem encontra tempo? Tempo, acho que essa é a resposta. Jovens têm tempo pela frente. Tempo pra sonhar, planejar, aproveitar, mudar de idéia, mudar de opinião, mudar de carreira, mudar o mundo. Eu quero fazer a diferença, mas não quero o suficiente. É um projeto de tempo integral, todos podem ajudar, colaborar, mas quem não se entrega totalmente, não parece realmente fazer a diferença. Meus pais colaboram, mas não dedicam suas vidas à isso. Dedicam suas vidas à suas carreiras, à mim, etc. E eles definitivamente não são frustrados, seus sonhos de adolescência eram sim muito parecidos com os meus. Mas no processo de amadurecimento, os sonhos principais viraram outros, e isso acontece com muitos de nós, a maioria de nós, acredito eu. Sonhemos, e quem tiver menos hipocrisia do que eu, façamos alguma coisa, porque o tempo é curto, cada vez mais curto.

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Invejoso

Oct. 2nd, 2007 | 08:21 pm

Perdi as palavras. Fiquei meses (foram só meses?) sem achar uma frase, um verso que valesse a pena ser posto no papel. E não foi por falta de esforço, espremi todos os embriões de idéias que eu tive, reguei todas as sementes que eu brotei por horas a fio, tive ilusões de inspiração que me fizeram rabiscar folhas inútilmente, nunca deixando de amassa-las e joga-las fora ao final da ilusão. Eu lia poemas e textos, ouvia músicas com versos geniais, e acabei virando um invejoso. Eu adoro escrever, eu realmente gosto, e nem sempre o que eu escrevo sai ruim, mas.. como eu vou conseguir ser como eles? Meus textos nunca atingiram nem vão atingir ninguém como a Clarice me atingiu, como o Chico Buarque atingi com seus versos, como Kafka impressiona com seus absurdos sociais. Eles têm aquilo no sangue, no suor, na lágrima, Vinícius quando saía do bar deixava versos impressos nos guardanapos, Clarice deixava suas roupas marcadas de frases intensas quando chorava. Parece que flui, que sai do corpo deles para o papel como se fosse líquido. E quando eu não consigo espremer de mim uma letra, um pedaço de história, seja na tristeza, na euforia, eu invejo. Eu os invejo e os admiro. Eu tenho que acreditar que é genético, ou é uma mutação embrionária, ou é algo divino. E nem sempre é pela grandiosidade dos versos, mas muitas vezes, pela grandiosidade dos autores, pela forma e pelo lugar onde eles colocam seus versos. Vinícius tem versos de uma banalidade assustadora, que saindo dele, parecem obras primas, e é isso que se tornam, ficam na história como grandes frases, refrões que passam de geração em geração. E alguém há de dizer: 'Qualquer um podia fazer uma coisa dessas', e alguém há sempre de responder 'Mas não foi qualquer um, foi Ele'. Ah, que inveja desse gênio. Alguns dizem que eles ficam famosos e depois dizem qualquer coisa que vira uma citação genial, mas será mesmo isso? Eu realmente acho que mesmo antes, eles dizendo coisas banais deviam juntar dezenas e dezenas de pessoas pra ouvi-los dizer as coisas banais. Talvez faça parte da mutação embrionária, ou da intervenção divina. Como um jogador de futebol que faz o que todos fazem, corre de um lado pro outro, mas o abençoado, ao fazê-lo, faz com que os adversários se curvem à ele. Invejo e idolatro esses deuses da arte em geral. Enquanto eles transpiram talento, eu tento espremer um traço aqui, outro ali.

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quem sou eu?

Mar. 17th, 2007 | 12:42 pm

eu sou o sol, eu sou a chuva, eu sou o chão, eu sou o ar, eu sou a árvore, eu sou tudo, eu sou nada. eu sou o que eu sinto, o que eu faço, o que eu traço, o que eu penso, eu sou o agora, o intante-já e não o que já foi, eu sou o que está para ser e o que nunca será, eu sou o que nunca foi. eu sou matéria, viva, pulsante em energia, eu sou impureza, eu sou mistura, eu sou quem não devia ser e quem sempre foi esperado, eu sou a minha vida, eu urro, eu ululo, eu urjo, eu uivo, eu uno. eu morri, eu nasci, eu dormi, eu comi, eu sonhei, eu bebi, eu matei, eu vivi. eu sou seu, eu sou meu, eu sou você, eu sou isso, eu sou ele, eu sou marte, vênus, mercurio, eu sou o universo todo, e ele sou eu. eu vivo. eu sou.

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Sonhos

Dec. 25th, 2006 | 12:56 pm

é de lágrima e de dor e de sorrisos e de gargalhadas que se faz o sonho. o sonho que brilha o tempo todo, que pulsa, palpita e explode felicidade. não é por força do destino, ou por acaso, não é porque Deus quer ou porque as forças do universo conpiraram.. é porque nós quisemos isso. quisemos mais que tudo, e continuamos querendo, cada vez mais. da minha lágrima e da sua, do meu sofrimento e do teu, surge esse grande torpor, essa felicidade que não se contém em um corpo e invade o outro, e vice-versa. esse sorriso invade tudo que há dentro de mim, e em cada parte faz o sangue correr mais rápido, mais fluído e mais bonito; faz os músculos relaxarem como não fazem em nenhuma outra ocasião; faz com que o universo todo pareça uma piada pra se conhecer quando há tantas sensações boas pra se conhecer aqui, tão perto. me dá um beijo, um abraço forte, e segura a minha mão que eu te levo pros meus sonhos mais belos e os farei seus também.

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Corpo Vazio

Dec. 9th, 2006 | 05:38 am

olhando pros degraus no escuro o menino parou de pensar. o turbilhão de pensamentos e sentimentos que o atormentavam abandonaram sua mente e seu corpo e ficou vazio. olhando para um ponto fixo no degrau escuro parou de chorar. largou o pedaço de vidro, enxugou os olhos, limpou as mãos na camisa e se levantou. desceu os dois degraus que tinha subido, encarou a porta de seu apartamento. estava entre-aberta. chegou perto, fixou seu olhar na maçaneta, não se atreveu a olhar pra dentro. puxou-a e fechou a porta. voltou para as escadas, começou a subir. lentamente, pesadamente. no oitavo degrau que subia, já no segundo lance de escadas, parou. encarou um ponto fixo no chão. ouviu o esperado pingo bater no chão. encarou a mão, suja, vermelha.. esfregou na camisa sem sentir dor. voltou a subir os degraus, mais leve. não sentia mais o peso que as pernas lhe faziam, a fraqueza do corpo não lhe incomodava. quando chegou ao último degrau suava, mas não ofegava. empurrou a porta do terraço deixando-a marcada com seu sangue. andou até o parapeito, subiu nele, e ficou em pé. olhando para o céu sem vê-lo. enxergando algo que não estava lá. e ficou em pé a encarar o céu. um olhar vazio e sem vida que não refletia nada. quando as pernas não agüentaram mais sentou-se, e continuou olhando. até que, quando a noite veio, ele olhou para o chão. deixou a cabeça cair puxando o corpo e enquanto caía começou a pensar, tranqüilo, em como pediria perdão.

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